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PT
Vocational courses 
Conclusões (> Conclusions)
Conclusões Nacionais: Portugal

Lourenco Frazão, Teresa Oliveira &  Fátima Santos
Universidade Nova de Lisboa
Faculdade de Ciências e Tecnologia - Ciências da Educação

April 2000

Reference to national case study on PT: Vocational courses and to topic study EL/PT on new job skills incl. workshop.



  
A participação Portuguesa no Projecto DUOQUAL „Qualifications with a Dual Orientation towards Employment and Higher Education in Portugal“ – A Portuguese Case Study, procurou enquadrar-se numa perspectiva de compreensão e troca de conhecimentos relativamente à problemática da qualificação dual. Assim, estudámos os diferentes modelos de qualificação dual do nosso Sistema Educativo com vista a evidenciar os aspectos mais relevantes de cada um deles. Este estudo permitiu-nos reflectir acerca da realidade concreta do nosso Sistema Educativo e, avaliar como a nossa especificidade se enquadra nas realidades dos países envolvidos no Projecto e de uma forma mais abrangente no contexto Europeu.

A análise dos modelos de qualificação dual teve em conta os seguintes aspectos: enquadramento nacional em termos económicos, sociais e educacionais; acesso ao ensino superior e ao mundo do trabalho; relação entre a formação teórica e prática; sucesso dos diferentes modelos.

O estudo permitiu evidenciar a nível dos países envolvidos no projecto, a existência de estádios diferentes de implementação e de sucesso dos modelos, do público alvo e do reconhecimento e estatuto social atribuídos aos jovens que frequentam estes modelos de educação/formação. A falta de reconhecimento e estatuto social é mais acentuado nos países onde as vocações dos jovens são tradicionalmente orientadas para o prosseguimento de estudos superiores de carácter geral. Tal facto parece dever-se ao estereótipo  de serem jovens conotados com dificuldades de aprendizagem, isto é, pouco dotados para o prosseguimento de estudos. Contudo, é possível encontrar, igualmente, alguns problemas idênticos nos países onde os cursos vocacionais e técnicos são tradicionalmente a opção preferida pelos alunos.

Os resultados permitem-nos inferir que os jovens que concluem o ensino secundário vocacional têm mais facilidade em entrar no mundo do trabalho do que aqueles que vêm dos cursos gerais. Porém, nota-se que existem, ainda, diferenças salariais entre os trabalhadores oriundos dos cursos profissionais e os que frequentaram outro tipo de cursos, principalmente, nos países onde este tipo de cursos não tem uma tradição longa. Em Portugal, estudos recentes referem que a procura de técnicos qualificados em determinadas áreas parece estar a inverter a situação.

O conceito de qualificação dual criou nos jovens novas perspectivas de acesso ao mundo do trabalho, decorrente de uma melhor preparação devido a uma qualificação profissional proporcionada por estes modelos. Todavia, por razões diferentes não foi possível investigar no terreno e em termos legislativos alguns dos pressupostos implícitos ao desenvolvimento do modelo de formação dual, como: a realização de estágios profissionais ou formação em alternância para todos os cursos; estabelecer protocolos com empresas da área de influência das escolas; conciliar a componente teórica com o exercício de actividades práticas e experimentais e, articular o desenvolvimento de competências dando ênfase especial às novas competências profissionais por serem transferíveis para ambientes e contextos organizacionais diferentes.

As exigências da sociedade actual, provocaram a necessidade de criar novos cursos assentes numa formação mais global e centrada na pessoa enquanto cidadão e factor de competitividade. Portugal procurou dar resposta a estas exigências através da reforma curricular de 18989/90. Contudo, novas necessidades fizeram emergir, em Portugal, uma nova reforma curricular a iniciar em 2001/02. Esta reforma procura ir mais ao encontro das necessidades dos indivíduos e das realidades do meio em que este se insere, aponta uma separação mais nítida entre os cursos gerais e tecnológicos, proporcionando maior flexibilidade na mudança de vias de ensino e reajustamento do percurso escolar no ensino secundário. 

A concretização de uma formação vocacionada para o mundo do trabalho que agora se preconiza será facilitada pelo papel que a escola pode ter como agente facilitador da adesão aos contextos sociais, económicos e culturais locais, incentivando um desenvolvimento interactivo de saberes e competências. Esta adesão passa por uma maior participação e articulação entre a escola e as empresas.

No desenvolvimento do estudo procurámos dar ênfase à importância do desenvolvimento nos jovens de novas competências profissionais. O interesse por esta questão está consubstanciada no facto de entendermos que estas competências, por serem transferíveis para contextos de trabalho e actividades profissionais diferentes, se afiguram como factores facilitadores da inserção sócio-profissional dos jovens no mundo do trabalho. Ao mesmo tempo confere-lhes mais auto-confiança para o desempenho da actividade profissional e uma visão mais concreta da obsolescência rápida das competências técnicas.

A qualificação dos professores e formadores para o ensino da Educação e Formação Vocacional (VET) foi, igualmente, objecto de estudo tendo, para o efeito, apontado propostas possíveis tendentes a dotar os professores/formadores de um conjunto de competência técnicas, pedagógicas e sociais suficientemente abrangentes e capazes de promover nos jovens o desenvolvimento de novas competências profissionais. Enquanto em Portugal não existe qualquer formação específica para os professores e formadores do ensino vocacional. Os professores são colocados no Sistema Educativo de acordo com as suas habilitações académicas, são portadores de formação pedagógica e transitam dos cursos gerais para os cursos vocacionais que em muitas escolas funcionam no mesmo espaço físico. Quanto aos formadores são normalmente oriundos de empresas e não possuem formação pedagógica. 

Paralelamente ao estudo nacional foi desenvolvida uma parceria (Joint Topic) com  a Grécia sobre o tema „Dual Qualifications: New Job Skills and the Placement in the Labour Market“. Este estudo comparativo revelou-se extremamente interessante por permitir conhecer a opinião de jovens dos dois países sobre as novas competências profissionais (New job skills). Este estudo desenvolveu-se em duas partes. A primeira comparou as novas competências profissionais tidas pelos jovens em formação inicial como desejáveis e as que na sua opinião foram desenvolvidas pela escola. A segunda comparou a importância das novas competências profissionais para o desenvolvimento da actividade profissional (How Important do you consider each of the following skills (working in a team, using a foreign language, using a computer, planning, budgeting and managing tasks) in the performance of your daily tasks?) e como os jovens em processo de inserção profissional, consideraram qual a ajuda da escola no desenvolvimento destas competências (To what extent your school helped you to acquire the following skills: working in a team, using a foreign language, using a computer, planning, budgeting and managing tasks?).

A problemática do estudo da parceria (Portugal/Grécia) suscitou o interesse dos parceiros da Alemanha  (Bavária)  Áustria e Reino Unido (Escócia). O interesse manifesto por estes parceiros deve-se às implicações que o desenvolvimento de novas competências profissionais tem a nível da estrutura curricular, da formação de professores, da relação escola-empresas e a comunidade local, aspectos em que estes parceiros estão envolvidos em projectos piloto. 

No sentido de encontrar linhas convergentes para estabelecer novos conceitos teóricos relacionados com Higher Order Skills, promovemos um Workshop em Lisboa onde debatemos ideias com vista a desenvolver estratégias que melhor se adequassem às realidades de cada país, de modo a tornar estes modelos de ensino/aprendizagem mais atractivos e a aumentar o seu reconhecimento social. Segundo a experiência da Alemanha, Áustria e Reino Unido, o desenvolvimento de esforços no sentido de incrementar a relação entre os cursos vocacionais e o sistema económico é uma forma positiva de colmatar esta questão.

O facto dos cursos que conferem uma qualificação dual serem pouco atractivos para os jovens parece relacionar-se com o facto dos programas curriculares serem muito orientados para o mundo do trabalho o que pode limitar a escolha de uma carreira profissional que necessite de uma formação mais generalizada. No caso específico português como a maioria dos estudantes deseja o prosseguimento de estudos superiores, a excessiva preocupação com a preparação para os exames nacionais de acesso ao ensino superior implica uma carga excessiva de conteúdos de carácter teórico, o que tem vindo a desvirtuar as características da criação dos cursos vocacionais.

Uma formação sólida e suficientemente abrangente ao nível das competências é entendido como uma forma de ajudar os jovens a encarar com confiança o seu futuro pessoal e profissional sensibilizando os jovens para a necessidade de uma aprendizagem ao longo da vida. Esta aposta em jovens dotados de competências, motivados, com energia, criatividade e ideias novas, afigura-se como um factor determinante que em muito pode contribuir para o desenvolvimento e fortalecimento da União Europeia.

Os resultados dos estudos desenvolvidos e a troca de conhecimentos permitiram-nos sugerir algumas recomendações, para melhorar a estrutura curricular e a participação dos intervenientes no processo educativo. Assim, entendemos como pertinentes as seguintes questões:

  • Avaliar a importância do desenvolvimento de novas competências profissionais na formação do indivíduo e a sua influência no processo de inserção sócio-profissional e na competitividade;
  • Estabelecer protocolos de cooperação científica entre os vários países para a formação global do indivíduo para avaliar e aferir os aspectos significativos possíveis de implementar tendo em conta as realidades específicas de cada sistema;
  • Definir quais as novas competências profissionais mais relevantes para a formação global do indivíduo de modo a dar resposta às solicitações do paradigma sócio-económico;
  • Acompanhar a evolução do sistema modular de  qualificação por unidades de crédito em desenvolvimento no Reino Unido;
  • Fomentar e reforçar a formação em contexto de trabalho através de estágios e /ou alternância enquadrado por professores e formadores qualificados;
  • Formação dos tutores de empresas e da escola;
  • Promover uma melhor cooperação e participação dos empregadores e da comunidade educativa na vida da escola;
  • Melhorar a articulação entre o ensino secundário e o ensino superior;
  • Regulamentação da formação de professores e formadores do ensino vocacional de modo a que ambos recebam formação pedagógica e formação conducente ao conhecimento das realidades do mundo do trabalho.
Conscientes das limitações deste estudo, contudo, entendemos ter contribuído para a reflexão em torno da problemática da educação/formação dos jovens e da necessidade de desenvolvimento de novas competências profissionais, bem como, da sua importância para a formação dos indivíduos enquanto pessoas e factores de competitividade no actual contexto estratégico da União Europeia face à competitividade.

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 First set up 04/05/2000
Latest update 04/05/2000
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